Em 20 de julho de 2026 a Comissão publicou C(2026) 5054 final — orientações sobre a aplicação das obrigações de transparência do artigo 50.º. Treze dias antes da própria obrigação. O que são, que valor jurídico têm e o que muda para prestadores e responsáveis pela implantação.

Para as obrigações em si, ver o pilar sobre as obrigações de transparência do artigo 50.º.

Em 20 de julho de 2026 a Comissão Europeia publicou orientações sobre as obrigações de transparência do artigo 50.º do Regulamento (UE) 2024/1689. Referência: C(2026) 5054 final. O anexo tem o título mais extenso de Orientações sobre a aplicação das obrigações de transparência para determinados sistemas de IA nos termos do artigo 50.º do Regulamento (UE) 2024/1689. Chegaram treze dias antes de o artigo 50.º entrar em aplicação, em 2 de agosto de 2026.

São interpretativas, não legislativas: não alteram o texto e não vinculam ninguém. O seu peso está noutro lado — o artigo 50.º é aplicado por 27 autoridades nacionais de fiscalização do mercado, cada uma lendo a mesma frase por sua conta. As orientações são o mecanismo com que a Comissão tenta impedir que essas 27 leituras divirjam.

Cronologia

Data Facto
Junho de 2026 Publicação do código de conduta sobre a transparência dos conteúdos gerados por IA
20 de julho de 2026 Orientações sobre o artigo 50.º — C(2026) 5054 final
24 de julho de 2026 Regulamento (UE) 2026/1744 (Digital Omnibus sobre IA) publicado no JOUE
27 de julho de 2026 Entrada em vigor do Digital Omnibus
2 de agosto de 2026 O artigo 50.º entra em aplicação
2 de dezembro de 2026 Termina o período transitório de marcação para os sistemas generativos preexistentes

O que muda

As quatro obrigações mantêm-se: informar que a interação é com uma IA e marcar em formato legível por máquina, a cargo do prestador (n.os 1 e 2); informar sobre o reconhecimento de emoções e divulgar as falsificações profundas, a cargo do responsável pela implantação (n.os 3 e 4). O que se estreita é a margem de interpretação.

O ponto com maior probabilidade de gerar processos no primeiro ciclo é o n.º 5 — informação clara e distinguível, o mais tardar no momento da primeira interação ou exposição. É o único que uma autoridade pode verificar do exterior sem qualquer acesso aos vossos sistemas: abre o produto e vê se o aviso lá está.

O Digital Omnibus diferiu o regime de alto risco, não o artigo 50.º. O limite máximo mantém-se em 15 milhões de euros ou 3 % nos termos do artigo 99.º, n.º 4, independentemente do nível de risco.

Fontes oficiais

Conteúdo editorial, não constitui aconselhamento jurídico.

Official AI Act Compliance Deadline Calendar

Updated · Sources: Regulation (EU) 2024/1689 and the 2026 Digital Omnibus on AI.

Obligation Applies to Original date New date Status Countdown Legal basis
Prohibited Practices (Art. 5) All providers and deployers active — AI Act Art. 5
GPAI Rules (Chapter 5) GPAI model providers active — AI Act Art. 51-56
AI-Generated Content Marking Providers of generative GPAI systems active — AI Act Art. 50(2)
Regulatory Sandboxes National competent authorities active — AI Act Art. 57
High-risk AI — Annex III (standalone) Providers of standalone Annex III systems deferred — AI Omnibus 2026 Art. 6(2)
High-risk AI — Annex I (embedded) AI embedded in Annex I regulated products deferred — AI Omnibus 2026 Art. 6(1)

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Perguntas frequentes

Um documento interpretativo adotado pela Comissão Europeia em 20 de julho de 2026, com a referência C(2026) 5054 final. O respetivo anexo intitula-se «Orientações sobre a aplicação das obrigações de transparência para determinados sistemas de IA nos termos do artigo 50.º do Regulamento (UE) 2024/1689». Expõem como a Comissão espera que prestadores, responsáveis pela implantação e autoridades nacionais de fiscalização do mercado apliquem de forma uniforme as quatro obrigações do artigo 50.º.

Não. As orientações da Comissão não são atos legislativos e não podem acrescentar nem retirar nada ao texto do artigo 50.º. Só o Tribunal de Justiça pode dar uma interpretação vinculativa. Na prática, porém, são a referência de trabalho das autoridades nacionais de fiscalização do mercado: afastar-se delas exige justificação.

Não. As quatro obrigações mantêm-se: os n.os 1 e 2 recaem sobre o prestador, os n.os 3 e 4 sobre o responsável pela implantação. O que se estreita é a margem interpretativa: quando a natureza de IA é «evidente», o que conta como controlo editorial e como deve ser apresentada a informação nos termos do n.º 5.

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